Publicado por: Estudo do Meio | Outubro 18, 2008

Trabalho de Campo

 

Olhar e Registro

Acácio Arouche de Aquino

 

No nosso trabalho, a observação e o registro são fundamentais para construção do conhecimento sobre o meio estudado. Essas atitudes ocorrem em dois níveis. No primeiro, é como se mergulhássemos numa piscina. Chegamos à borda, olhamos, vemos a cor da água, do azulejo, o entorno e mergulhamos. Choque, água fria, “molhada”. No segundo, depois de nadarmos, saímos do outro lado e olhamos para trás. Vemos novamente a cor da água, do azulejo e o entorno; sentimos o cheiro do cloro e o vento que sopra, o vento em nossa pele.

Esses registros têm como suporte nosso próprio corpo. Ficam na memória as sensações. Porém há outros constituídos por diferentes linguagens: fotografia, desenho, palavras, a gravação de vídeo e de áudio.

O desenho é fundamental, pois nos faz parar para observar, olhar com atenção e selecionar o que se registra. Essa seleção é uma generalização não muito consciente e guiada pela sensação e pelo que nos é importante. É um ato pessoal e significativo. A fotografia exige outro tipo de atenção, é mais dinâmica e ao mesmo tempo não generaliza. Grava, num recorte de visão, detalhes de forma, cor e luz. O vídeo acresce à fotografia o movimento pelo espaço e tempo e também precariamente os sons do ambiente. O gravador registra os sons do ambiente, a fala das pessoas, entonação, silêncios e sotaques. O registro escrito documenta sensações, opiniões, memórias e a fala das pessoas. Os registros por diferentes mídias se completam, dando uma visão mais ampla e profunda do meio.

Esse trabalho é coletivo e por essa razão há necessidade de se cuidar para que os registros não sejam repetitivos. Por exemplo, quando um colega fotografa um objeto não precisa que todos também o façam, embora cada um tenha seu próprio ponto de vista.

Ao fazermos um trabalho de campo, devemos cuidar para não desarrumar o local, pois nossa presença sempre se constitui em uma interferência que provoca mudanças. Precisamos ser éticos nessa interferência. E aí me vem à mente o verso de um samba que diz:

“minha mãe me falou para pisar neste chão devagarinho”

Só assim poderemos ficar todos impregnados desse meio.

 

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Responses

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