Publicado por: Estudo do Meio | Março 12, 2009

Biologia no Estudo do Meio

Etimologicamente, o termo Biologia significa “Estudo da vida”. Porém, para os cientistas, filósofos e lexicólogos definir a vida tem se mostrado difícil e frustrante devido a sua complexidade. Entretanto, se dissermos que a Biologia é uma ciência que procura conhecer a vida através do estudo dos seres vivos, é possível facilitar sua compreensão.

Algumas características próprias dos seres vivos:

• Composição química complexa (compostos orgânicos)

• Elevado grau de organização estrutural

• Consumo de energia com renovação contínua da matéria (metabolismo)

• Realização de homeostase (manutenção do equilíbrio dentro da célula)

• Execução das funções vitais (nutrição, respiração, circulação, transporte e excreção).

• Sistemas endócrinos nos seres mais complexos

• Capacidade de reprodução e hereditariedade

• Adaptação ao meio e evolução

• Relacionamento com o meio ambiente

• Individualidade e variabilidade

RECONHECENDO ELEMENTOS E INTERAÇÕES NO MEIO AMBIENTE

Na saída ao campo conseguimos perceber o cotidiano e problematizar as situações que vivenciamos, construindo novos conhecimentos, reconhecendo contradições entre as explicações do senso comum e a dinâmica dos ambientes visitados.
O ambiente “vivido” deixa de ser um ambiente qualquer, genérico, do ponto de vista dos vínculos culturais e da história, e também do ponto de vista biológico, físico, químico, geológico, geomorfológico, etc., quando ele é o ponto de partida e de chegada da construção de conhecimentos.
Diferentemente dos conceitos e leis gerais estudadas nos livros, que parecem até adquirir vida própria e significado em si mesmos, o ambiente local, a realidade têm características bem específicas, cuja dinâmica e complexidade são inerentes ao contexto de que fazem parte.
Seu reconhecimento, nas marcas físicas, na memória dos moradores e dos participantes do estudo é um dos objetivos do Estudo do Meio.
Construímos conceitos o tempo todo, sobre tudo e sobre todos. Sempre estamos reformulando idéias. Tudo e todos têm vida ou podemos lhes dar vida. Os conceitos adquirem significado quando contextualizados. O reconhecimento das condições físicas e ambientais é internalizado junto com os vínculos subjetivos, afetivos e culturais.
O trabalho de campo vai ser tanto mais rico quanto mais sensível se estivermos preparados para compreendê-lo numa perspectiva abrangente, e para levantar indagações sobre aquilo que presenciamos.
É importante, antes de tudo, perceber através dos sentidos, como está o ambiente estudado: que sons podemos ouvir? Que cheiros têm? E as cores? E os sabores? Está frio, calor? O ar está seco ou úmido? Chove?
O “lago”, por exemplo, existente no lugar da praça permanece na memória dos moradores mais antigos ; há também experiências vividas nas épocas de chuvas quando a região ficava intransitável aos pedestres.
O eucaliptal até há poucos meses existente no asilo de velhos continua como um marco, um dos pontos de referência dos moradores. Algumas professoras residentes no bairro relataram que as pessoas se referiam umas às outras como moradoras “do lado, atrás ou à frente do eucaliptal”.
Nessas observações é possível identificar os ritmos biológicos, climáticos daquela época e o processo de urbanização não planejada do entorno. A rua era espaço de brincadeiras das crianças, principalmente nos fins de semana, quando até os adultos participavam delas junto aos filhos. Atualmente percebemos que esses espaços pertencem aos automóveis e à violência.
É possível, também, identificar os ritmos biológicos e outros ritmos “naturais” nesse ambiente, como as chuvas de verão, o sapo e cobras encontradas com freqüência nessas condições climáticas .
O espaço estudado tem determinadas condições físicas onde é possível entender melhor o ambiente, com suas marcas, com a identificação dos sujeitos sociais e as dinâmicas das relações sociais que o produziram.
Além da sensibilização para a percepção do ambiente é importante que, durante o estudo do meio, sejam identificados elementos ambientais e as interações que resultam na complexidade dessa área.

Quais são as marcas mais fortes do ambiente em estudo?

Com relação à natureza e sua dinâmica, em função das ações humanas,
podemos percebê-lo melhor, observando alguns indicadores, como:

• Diversidade de espécies em áreas restritas (por exemplo:quantas espécies nasceram em canteiros abandonados, ruas e praças? Quantas espécies diferentes há em canteiros das residências?)
• Além da quantidade de espécies diferentes, quais os tipos de vegetação e de animais mais presentes? Há árvores de que tipo? Há plantas medicinais? Há fungos? Há liquens nas árvores? Há árvores? Há aves?)
• Com relação à ação do vento e da água no ambiente há indicação de desmoronamento de morros? Há valas de erosão? Há morros sem vegetação? Ocorrem enchentes, nessa região?

Além disso, é muito importante reconhecer a presença das tecnologias com as quais convivemos. Assim podemos nos perguntar:

• Quais são os transportes usados na área? Que tipo de indústrias há na região? O que fabricam? Há rejeitos jogados no ambiente? Há reservatórios de água adequados nas residências?
• Há coleta seletiva de resíduos? Onde são levados esses resíduos?

Tudo isso vai ser importante para começarmos a entender melhor o meio em que vivemos e as próprias explicações sobre como “funciona” esse meio, a estabelecer relações entre o que encontramos e suas múltiplas determinações.
Para muitos aspectos dos espaços visitados podem ser trabalhadas as explicações já existentes: como os aviões funcionam, por que as pessoas daquele bairro ficam com determinadas doenças, onde compram os seus alimentos, enfim, para muitas coisas se têm explicações. Para outros, é preciso pesquisar mais fundo e, nem sempre serão encontradas.
Ao sairmos de um Estudo do Meio voltamos com muitas explicações, mas com muito mais perguntas do que na saída. Elas são indispensáveis para a construção de novos conhecimentos,

A BIOLOGIA E A INTERDISCIPLINARIDADE:

Geografia: categorias de análises geográficas
Espaço, Paisagem, Região, lugar e Território.

Matemática
Importantíssimo instrumento de medição, avaliação, comparação e estudo das probabilidades.

Arte
Sempre os estudiosos se utilizaram de desenhos para a descrição morfológica dos seres vivos. Até hoje a fotografia não consegue registrar detalhes de um ser observado pelo cientista.

História
Importante na preservação dos registros, marcos e signos, no resgate do desenvolvimento dos seres através dos tempos e na preservação da memória.
(…) Os diversos temas da história ambiental na atualidade têm aproximado o meio ambiente à história cultural, às imagens construídas pelos homens sobre a natureza e ao modo de esta se incorporar à memória individual e coletiva (..)*
*Bittencourt, Circe M – Temas de História Ambiental – IN-Ensino de história – Fundamentos e Métodos,p. 263

Literatura
O relato das sensações que a ciência não consegue descrever mesmo com os mais sofisticados equipamentos, o poético.

“NÃO BASTA ABRIR A JANELA”
(…) Alberto Caeiro
Para ver os campos e os rios
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo há fora:
E um sonho do que poderia ser se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela”

——****——-
“ A CRÍTICA DA RAZÃO INDOLENTE :
CONTRA O DESPERDÍCIO DA EXPERIÊNCIA “
Boaventura Sousa Santos

(…) Há um desassossego no ar. Temos a sensação de estar na orla do tempo, entre um presente quase a terminar e um futuro que ainda não nasceu. O desassossego resulta de uma experiência paradoxal: a vivência simultânea de excessos de determinismo
E de excesso de indeterminismo. Os primeiros residem na aceleração da rotina.
As continuidades acumulam-se, a repetição acelera-se. A vivência da vertigem coexistente com a de bloqueamento. Os excessos do indeterminismo residem na desestabilização das expectativas. A eventualidade de catástrofes pessoais e coletivas parece cada vez, mas provável A ocorrência de rupturas e de descontinuidades na vida e nos projetos de vida é o correlato da experiência de acumulação de riscos inseguráveis. A coexistência destes excessos confere ao nosso tempo um perfil especial, o tempo caótico onde ordem e desordem se misturam em combinações turbulentas. As rupturas e as descontinuidades, de tão freqüentes, tornam-se rotina, e a rotina por sua vez, torna-se catastrófica.
Pode pensar-se que este desassossego é típico dos tempos de passagem de século e, sobretudo, de passagem de milênio, sendo por isso um fenômeno superficial e passageiro. O desassossego que experimentamos nada tem a ver com a lógica de. Calendário. Não é o calendário que nos empurra para a orla do tempo, e sim a desorientação dos mapas cognitivos, interacionais e societais em que até agora temos confiado. Os mapas que nos são familiares deixaram de se confiáveis. Os novos mapas são, por agora, linhas tênues, pouco menos que indecifráveis. Nesta dupla desfamiliarização está a origem do nosso desassossego.
Vivemos, pois, numa sociedade intervalar, uma sociedade de transição paradigma.
Esta condição e os desafios que ela nos coloca fazem apelo a uma racionalidade ativa, porque em transito, tolerante, porque desinstalada de certezas paradigmas, inquieta, porque movida pelo desassossego que deve, ela própria, potenciar.(…)

SANTOS, Boaventura Sousa. “A crítica da razão indolente : Contra o desperdício da experiência “ – 2ª edição, São Paulo, Cortez.

Professoras de Biologia – Ângela e Dolores
Colaboradores – Acácio (Artes) e Maria Alice (História)

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